23228 Conjunto habitacional Cerrado de São Vicente
Localização:
Alcácer do Sal
Ano:
2023-
Área de construção: 8.360 m2
Promotor: Privado
Arquitectura: Humberto Fonseca + Humberto Silva
Coordenação: Miguel Nogueira
Colaboradores: André Camilo, Diogo Azevedo, Iolanda Rosado, João Ribeiro
Paisagismo:  MBR
Fundações e estrutura: Armando Vale
Especialidades: OMF

Nos últimos anos, o território litoral alentejano tem vindo a afirmar-se como uma das regiões de maior atractividade nacional, resultado da conjugação entre património natural, qualidade paisagística, proximidade ao mar e novos investimentos estruturantes ligados ao turismo, à mobilidade e à valorização do território. Esta dinâmica tem inevitavelmente conduzido ao crescimento das áreas urbanas existentes e à necessidade de criar novas respostas habitacionais e turísticas, capazes de acomodar esse desenvolvimento sem perder a relação com a paisagem e a identidade local.

É neste enquadramento que surge o presente projecto, pensado como uma intervenção de baixa densidade visual, onde a arquitectura procura estabelecer uma relação equilibrada entre repetição, continuidade e integração paisagística.

O conjunto desenvolve-se através de um sistema modular e repetitivo, permitindo criar uma imagem unitária e coerente ao longo de toda a frente edificada. A repetição dos vãos, dos elementos estruturais e das relações entre cheios e vazios constrói um ritmo contínuo, sereno e equilibrado, reforçando a horizontalidade do edifício e a sua integração no território.

A volumetria é deliberadamente simples e depurada, composta por dois pisos sobrepostos, onde a linguagem arquitectónica assenta na espessura dos planos, na profundidade dos vãos e no desenho das zonas de sombra. Os recuos e reentrâncias das fachadas permitem criar espaços exteriores protegidos, funcionando simultaneamente como extensão das habitações e como elemento de controlo solar.

A materialidade do conjunto inspira-se nas tonalidades naturais da paisagem alentejana. Os revestimentos contínuos, de cor de terra e textura suave, procuram aproximar o edifício da linguagem do território, permitindo que a arquitectura adquira uma presença discreta e silenciosa. A vegetação assume igualmente um papel estruturante no projecto, contribuindo para suavizar a implantação construída e reforçar a continuidade entre arquitectura e paisagem.

Os apartamentos localizados no piso superior dispõem de açoteias privativas, concebidas como espaços de permanência e contemplação da paisagem envolvente. Algumas destas coberturas integram tanques ou pequenas piscinas individuais, reforçando a dimensão de conforto e privacidade associada às fracções.

Ao nível térreo, o projecto organiza um jardim comum de utilização colectiva, onde se integra uma piscina partilhada destinada exclusivamente aos moradores e utilizadores do empreendimento. Este espaço exterior funciona como elemento agregador do conjunto, promovendo a convivência e a utilização informal dos espaços exteriores.
O projecto procura assim responder às novas dinâmicas de crescimento do território através de uma arquitectura contida e integrada, onde a repetição, a matéria, a vegetação e a relação com o exterior assumem um papel central na construção da identidade do conjunto. Mais do que criar um objecto isolado, pretende-se desenvolver uma intervenção capaz de participar de forma equilibrada na transformação deste território em expansão.

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