24203 Hotel Rural
Localização: Cercal do Alentejo
Ano: 2024…
Área de construção: 6995m2
Promotor: Privado
Arquitectura: Humberto Fonseca e Humberto Silva
Colaboradores: João Ribeiro, Miguel Nogueira, Diogo Azevedo
Paisagismo: HH
Fundações e estrutura: Armando Vale
Especialidades: OMF
A proposta nasce da vontade de estabelecer uma relação de continuidade com a paisagem envolvente, evitando qualquer gesto formal excessivo ou elemento que interrompa a leitura natural do território. Implantado numa encosta de carácter mediterrânico — marcada pela presença de vegetação autóctone, afloramentos rochosos e uma topografia suave —, o conjunto procura integrar-se através da matéria, da escala e da própria construção de espaços vazios.
O projecto desenvolve-se a partir da sobreposição e do deslocamento de volumes horizontais, criando uma composição fragmentada, mas simultaneamente unitária. Esta lógica tectónica permite que o edifício acompanhe o terreno de forma natural, reduzindo o impacto visual da construção e diluindo a sua presença na paisagem. Os diferentes corpos parecem emergir do solo, prolongando a própria topografia.
A organização volumétrica resulta de uma estratégia de adição de elementos maciços, cuja alternância gera uma sequência de pátios protegidos, terraços ajardinados e espaços intermédios de transição entre o interior e o exterior, onde o jogo de luz e sombra é cuidadosamente trabalhado.
A materialidade assume um papel central na identidade da proposta. O edifício é pensado como um conjunto monomaterial, onde paredes, muros e coberturas partilham uma linguagem contínua. A opção por revestimentos minerais pigmentados, em tonalidades próximas às do solo local, procura reforçar a integração cromática na envolvente natural, permitindo que a construção varie subtilmente com a incidência da luz ao longo do dia e das estações.
A tectónica do projecto assenta na expressão da massa e da espessura. Os elementos construtivos são entendidos não apenas como revestimento, mas como matéria arquitectónica capaz de transmitir permanência, inércia e pertença ao lugar. Esta abordagem procura recuperar uma certa dimensão arcaica e silenciosa da arquitectura mediterrânica, reinterpretada através de uma linguagem contemporânea e depurada.
As coberturas ajardinadas desempenham um papel fundamental na integração paisagística e ambiental do conjunto. Além de contribuírem para a continuidade visual da encosta, optimizam o comportamento térmico do edifício, aumentam a retenção hídrica e reforçam a biodiversidade local.
Funcionalmente, o empreendimento organiza-se de forma dispersa e horizontal, privilegiando a privacidade das unidades de alojamento e a relação individual de cada espaço com a envolvência. Os percursos exteriores acompanham a topografia natural, promovendo uma experiência lenta e imersiva do lugar.
O projecto procura, assim, desenvolver uma arquitectura de baixa intensidade visual, profundamente ligada ao território, onde a matéria, a sombra, a espessura e a relação com a paisagem constituem os principais instrumentos de desenho. Mais do que afirmar um objecto autónomo, pretende-se construir uma presença discreta e enraizada, capaz de envelhecer naturalmente e de estabelecer uma relação duradoura com o contexto onde se insere.





