21178 Reabilitação de edifício habitacional
Localização: 
Avenida Júçio Dinis, Lisboa

Ano: 2021- 2024
Área de construção: 2.505 m2
Promotor: Privado
Arquitectura: Humberto Fonseca + Humberto Silva
Coordenação: Miguel Nogueira
Colaboradores: Iolanda Rosado, Daniela Mangas, Álvaro Llera, André Camilo 
Fundações e estrutura: Armando Vale
Hidráulicas: Pedro Galhardo
Mecânicas: Pedro Pereira
Construção: ConstruOeiras, Obras Públicas e Construção Civil, Lda

Fotografia: João Rodrigues Ribeiro 

Este trabalho começa como tantos outros: um cliente adquire um imóvel já com projeto definido e obra iniciada. Um projeto com o qual não se identifica, mas com o qual tem inevitavelmente de lidar.

Com os trabalhos de betão já concluídos, a “ditadura estrutural” estava estabelecida. A grande questão que se impunha era: o que ainda é possível fazer e alterar?

Assim, o projeto começou por questionar e hierarquizar a relação com o exterior, dotando todas as frações de amplas varandas corridas, que percorrem toda a largura das habitações em dois alçados distintos — proporcionando continuidade visual, fluidez espacial e uma vivência mais generosa do exterior.

Todas as habitações partilham essa característica: ocupam o edifício em toda a sua profundidade, com as salas voltadas para a frente urbana e os quartos orientados para o interior do quarteirão — garantindo privacidade, conforto térmico e isolamento acústico.

A única exceção é o duplex dos pisos 0 e 1, totalmente voltado para o logradouro/jardim. É o grande privilegiado do conjunto, com acesso direto e exclusivo a um amplo espaço exterior.

Nos pisos intermédios, a organização repete-se com dois apartamentos por piso, enquanto o último piso é inteiramente ocupado por uma penthouse com três quartos e uma ampla master suite, e varandas ainda mais generosas, beneficiando de maior privacidade e exposição solar.

A frente urbana do edifício assegura o acesso aos seus habitantes, tanto pela entrada pedonal como pelo acesso automóvel. Este nível inferior funciona como um embasamento, sobre o qual assentam os pisos habitacionais, estabelecendo de forma clara e funcional a relação entre o edifício e a rua.

Ao nível da estrutura programática, manteve-se a matriz inicial, mas todos os compartimentos foram redesenhados e ajustados com detalhe, indo ao encontro da lógica pretendida para o edifício e as suas frações. Procurou-se uma permeabilidade total entre fachadas opostas, permitindo que a luz, o ar e os sons atravessem os espaços, trabalhando em conjunto com os materiais cuidadosamente selecionados para cumprir o seu propósito essencial: ser casa.

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