22204  Conjunto habitacional  Quinta do Facho
Concurso:
3° lugar
Localização:
Monte de Caparica, Almada
Ano:
2022 – 
Área de construção: 6000 m2
Cliente: CM Almada
Arquitectura: Humberto Fonseca + Humberto Silva
Colaboradores: Miguel Nogueira, Iolanda Rosado, Daniela Mangas, André Camilo, Rafael Barreira

Fundações, estruturas e especialidades: Armando Vale

Claramente ancorado no desenho urbano do conjunto dos cinco lotes, o novo percurso pedonal público adoça-se à topografia existente. Conseguindo dessa forma conectar todas as altimetrias do terreno.

Volumetricamente, os edificios são caracterizados pelos elementos horizontais que percorrem o conjunto dos mesmos e favorecem a sua leitura e harmonização enquanto objecto único, embora a inclinação abrupta do terreno que posiciona os cinco lotes em diferentes cotas. Os alçados são compostos pelo prolongamento, na totalidade do conjunto, das vergas e das lajes das varandas, na cor verde, que balizam os vãos das habitações. Não descorando os elementos verticais, como é caso das paredes que dividem os lotes e possibilitam o posicionamento destes na implantação sugerida que segue a curvatura da Avenida Timor Lorosae.

Esta ideia de continuidade é também retratada a nível pedonal, como já foi referido, através do percurso proposto. Este percurso é formado a norte por um largo passeio público, interrompido a espaços por escadas que vencem os desníveis do terreno ao encontro das soleiras de entrada em cada um dos edifícios. A nascente e a poente, este ganha novamente a forma de escadaria fazendo a ligação entre a frente sul de cotas mais baixas e a frente norte de altimetrias mais elevadas. 

A sul, esta “promenade” é coberta e sombreada por um sistema de palas de betão inclinadas que acolhem quem chega ou quem passa, também na cor verde.

Ao longo de todo este circuito, existem bancos corridos, para quem passa poder parar e estar. E quem aqui mora poder sair e conviver. Assim, para além de cumprir o seu desígnio primordial de ligar tudo, ligar todos. Ser um veículo de sociabilização para quem o utiliza. Promovendo o encontro de todos com todos, um novo polo de referência social e urbana. Assim, este não pode deixar de incorporar uma grande dimensão simbólica.

Funcionando como um deambulatório que apazigua e relaciona todas as estruturas de mobilidade urbana existentes, este possibilita e legítima uma das opções fundamentais da proposta; a criação de duas entradas para cada bloco habitacional. Cada edifício tem um acesso pelo Jardim (cota superior) e outro pela Av. Timor Lorosae (cota inferior).

Assim, quem chega de bicicleta, ou de metro pode entrar por “baixo”, quem chega pelo jardim superior entrará por “cima”. Quem apenas quer transpor o desnível do terreno, pode fazê-lo pela escada interior ou confortavelmente através dos meios mecânicos existentes. Ou carregando no botão do seu piso, continuar a subir e entrar no recato do lar – a casa.
De referir que é ao nível da Avenida, que encontra o compartimento de RSU, sendo esse o único acesso viável para a recolha dos mesmos.

A entrada para qualquer um dos edifícios cinco edifício é realizado da mesma forma; pelo alçado sul acede-se à cota inferior do hall de entrada principal – duplex – que varia de pé direito consoante o lote em questão, dependendo da cota a que se encontra o hall de entrada superior. Dada a proximidade da ciclovia, localizada na Av. Timor Lorosae, é ainda nesta zona do hall principal que se propõe um estacionamento para bicicletas.

São nas entradas superiores deste hall, que surgem no seguimento do percurso com as escadas que circunscrevem toda a área de intervenção, que acedemos às primeiras habitações.

No caso dos lotes 13, 14 e 15, este primeiro piso alberga 3 tipologias em esquerdo, direito e frente, apresentando dois T2 e um T1. Enquanto que nos lotes 16 e 17, a distribuição é feita em esquerdo e direito, tendo cada edifício dois T2.

Nos pisos acima destes, vão evoluindo de acordo com o definido no programa preliminar, evoluindo a tipologia base T2, para as demais. Adicionando quartos, que ocupam o espaço do hall de entrada do alçado norte ou retirando-os quando o programa exige um T1.
É neste exercício e seguindo esta lógica que a proposta apresenta o total almejado de 52 fogos.

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