22210 Casa Reparadora
Localização: Campo de Ourique, Lisboa
Ano: 2022 –
Área de construção: 200 m2
Cliente: Privado
Arquitectura: Humberto Fonseca + Humberto Silva
Colaboradores: João Ribeiro, Rafael Barreira
Fundações e estruturas: Abílio Neves
Especialidades: Pedro Galhardo
Construção: CFE – Construções Fernando Ermida,lda
Um antigo armazém, oficina reparadora de automóveis, situado no Bairro de Campo de Ourique, num enquadramento urbano completamente definido e estabilizado.
Uma casa para uma família e muitos amigos.
O projecto começa com a primeira visita, onde se percebeu que se queria manter aquela espacialidade e centralidade. Assim, em detrimento de uma atitude especulativa, resistindo à demolição integral do imóvel, optou-se por potenciar as características mais marcantes do espaço, que funcionam como os grandes catalisadores para o desenvolvimento do programa e, consequentemente, da forma de viver a CASA.
O trabalho árduo da oficina AUTO-REPARADORA desenvolvia-se, em grande medida, através de um vazio central existente numa mezzanine, uma espécie de varandim, onde, através de um sistema de correntes, se suspendiam os motores dos automóveis, armazenando-os na plataforma supramencionada.
O projecto mantém essa dinâmica laboriosa, esse frenesim central, não de mecânica dos motores, mas de vida. Esse trepidar dos dias, como canal de comunicação e de ligação de toda a família.
Assim, no piso superior, construído sobre o sistema de aço e madeira original, ficarão as zonas de recato da vida: dormir, estudar, ler. Todos eles comunicantes directamente com o “vazio” central.
Este vazio superior também organiza e hierarquiza o piso inferior, emoldurando a zona central que acolherá a grande mesa de refeições. O piso térreo, amplo e aberto, abriga todos os espaços sociais e de convívio da habitação, como a cozinha e as respectivas zonas de jantar e estar, promovendo uma fluidez de uso entre as várias áreas.
Esta é uma casa urbanisticamente gentil, em relação permanente com quem passa na travessa.
Através do seu portão “cortina”, que será o grande protagonista do ponto de vista da rua. Pode abrir-se na totalidade, revelando despudoradamente o espaço social da casa, ou, fechando-se, mostrará, qual filigrana, a vida do interior a quem passa.
Assim, esta é uma casa avassaladoramente simples, mas com uma poética apaziguadora raramente alcançável. Alimenta-se da luz zenital que a varre na altura total da construção, dos sons que se cruzam entre pisos, dos transeuntes que passam e tentam perceber o interior, dos habitantes de dentro, que, com o seu respirar, são o elo que dá sentido a todas as partes. Sendo mais do que uma casa, é uma Reparadora.







