19119 Rua do Meio à Lapa
Localização:
Lapa, Lisboa

Ano: 209 – 2021
Área de construção: 420 m²
Promotor: Privado
Arquitectura: Humberto Fonseca e Humberto Silva
Coordenação: Inês Orfão Nunes
Colaboradores: Liliana Nabais, Álvero Llera
Fundações e estrutura: Armando Vale
Hidráulicas: Ricardo Lopes
Mecânicas: Bruno Henriques
Construção: CFE, construções, lda

Projecto de reabilitação integral de um edifício localizado numa das ruas mais emblemáticas da cidade de Lisboa — a Rua da Lapa.

Trata-se de um edifício singular, cuja presença se destaca na frente urbana pela sua invulgar esbelteza e pela forma como rompe com a cércea dominante da rua. A sua verticalidade confere-lhe uma identidade própria, tornando-o um elemento facilmente reconhecível na paisagem construída.

O edifício é composto por cinco fracções habitacionais, uma por piso, culminando num duplex que ocupa os dois níveis superiores e desfruta de uma vista absolutamente extraordinária sobre a cidade de Lisboa e o estuário do Tejo.

O projecto parte da valorização das características espaciais mais marcantes do edifício existente, procurando não apenas preservá-las, mas também reinterpretá-las e amplificá-las. Entre essas características destaca-se o corredor longitudinal que termina num espaço triangular, onde uma porta em cada lado define uma geometria singular e memorável, presente em todas as habitações. Este elemento assume-se como o tema central do projecto, contaminando positivamente diversas soluções arquitectónicas.

A geometria triangular é reinterpretada em múltiplos momentos da intervenção. Surge, por exemplo, nas instalações sanitárias, onde conforma os espaços de duche, e reaparece em diversos detalhes construtivos e de desenho interior. Até os elementos aparentemente mais discretos participam desta lógica conceptual: um dos azulejos abandona a sua posição regular para dar lugar a uma pequena abertura que permite a entrada de luz natural, transformando um gesto mínimo num acontecimento espacial.

Os três primeiros pisos beneficiam de espaços exteriores ajardinados, estabelecendo uma relação directa com o interior do quarteirão. Nos dois pisos superiores, a relação com o exterior faz-se através de amplos vãos envidraçados de correr que, quando totalmente abertos, eliminam a fronteira entre interior e exterior, convertendo as salas e cozinhas em verdadeiras extensões do espaço aberto e da paisagem sobre a cidade.

Mais do que uma simples operação de reabilitação, o projecto procura revelar e intensificar as qualidades latentes do edifício existente, transformando as suas singularidades espaciais na matriz conceptual de toda a intervenção.

 

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